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À descoberta das cores: um Halloween para alimentar a imaginação e aprender a cuidar com receitas e exercícios práticos
Por Helena Paixão, psicóloga, e Mafalda Rodrigues de Almeida, nutricionista: autoras de À Descoberta das Cores, editado pela Nuvem de Ideias, com recomendação da APCOI (Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil) e com o apoio da Vitacress

Estamos na altura do ano em que as abóboras ganham cara, a sopa transforma-se em cabelos de bruxa e uma batata-doce pode vestir-se de múmia. Entre o Dia Mundial da Alimentação, assinalado a 16 de outubro, as cores do outono e as brincadeiras de Halloween, fazemos um convite para descobrir novos sabores e formas de cuidar em família.
É neste encontro entre alimentação e emoções que nasce À Descoberta das Cores, editado pela Nuvem de Ideias com o apoio da Vitacress. Com a abelha Mel, a descoberta começa num livro e continua na cozinha: observar uma folha, sentir um aroma ou ajudar a preparar uma receita são formas de tornar os alimentos mais familiares, ainda antes da primeira garfada.
E há espaço para lhes dar maior presença no quotidiano. Segundo o Inquérito Nacional de Saúde de 2025, citado pela Direção-Geral da Saúde no relatório de 2026, apenas 44,1% das crianças dos 5 aos 14 anos e 40,6% da população com 15 ou mais anos consomem hortícolas diariamente. Uma sopa colorida, algumas folhas acrescentadas a uma massa ou um salteado preparado em conjunto podem ser pequenos passos: com as cores, os aromas e as histórias a despertar a curiosidade.


O outono também tem folhas verdes
Quando pensamos nos alimentos de outono, lembramo-nos facilmente das abóboras, das maçãs, das peras e das romãs. Mas esta estação também traz folhas como os espinafres, as acelgas e a rúcula, a quem se juntam as ervas aromáticas como os coentros e salsa, que acrescentam diferentes tons de verde, formas e sabores às nossas refeições.
A sazonalidade pode ser uma oportunidade para variar o que comemos e conversar sobre a origem dos alimentos. O que encontramos nesta altura do ano? O que mudou desde o verão? De onde veio o que escolhemos? Consultar a origem indicada na embalagem ou perguntar no mercado são pequenos gestos que ajudam a ligar a refeição ao lugar e ao tempo em que os alimentos são produzidos.
Na vida real das famílias, a facilidade de preparação também conta. Ter folhas prontas a utilizar, pode ajudar a incluir hortícolas numa refeição rápida: juntá-los a uma sopa, envolvê-los numa massa ou utilizá-los num salteado. Pequenas escolhas que tornam a variedade mais fácil de concretizar.
Descobrir sem transformar cada garfada numa prova
A cor pode despertar curiosidade, mas cada criança tem o seu ritmo. Algumas querem provar logo. Outras preferem observar, tocar ou ajudar a preparar antes de levar um alimento à boca.
Uma experiência em que a criança descobre o nome de um vegetal, conhece o seu cheiro ou aprende a prepará-lo já tem valor, mesmo que nesse dia não queira prová-lo.
A investigação também fornece pistas sobre o valor desta participação. Num estudo experimental publicado em 2014 na Appetite, revista científica internacional dedicada ao comportamento alimentar, participaram 47 pares de criança e progenitor. Na refeição observada, as crianças que ajudaram a cozinhar comeram, em média, cerca de mais 42 gramas de salada do que aquelas cujos pais prepararam a refeição sozinhos. Embora o resultado diga respeito a uma única refeição, sugere que envolver os mais pequenos na cozinha pode ser um caminho para os aproximar dos hortícolas.

Uma alimentação saudável constrói-se ao longo do tempo, através da variedade e do conjunto dos hábitos familiares.

Aos adultos cabe dar o exemplo e criar oportunidades de contacto com os alimentos. À criança deve ser permitido descobrir que experimentar pode acontecer com curiosidade e tranquilidade.
O Halloween oferece um pretexto para isso. Uns fios de massa tornam-se cabelos emaranhados. Ovos de codorniz passam a ser olhos de monstro. Uma batata-doce ganha uma barriga verde e ligaduras de queijo. Os ingredientes continuam reconhecíveis, enquanto a imaginação lhes dá um papel na história.
É este o espírito das duas receitas que acompanham este artigo: a Sopa de Cabelos de Bruxa com Olhos de Monstro, com a mistura Asiática Quente ou Fria Vitacress, e as Múmias de Batata-Doce com Barrigas Verdes, com espinafres.
Prepará-las em conjunto permite escolher, misturar, decorar e inventar nomes. As tarefas devem ser ajustadas à idade e o resultado não tem que ficar perfeito. Um olho torto ou uma múmia mal embrulhada podem ser a parte mais divertida da receita.
Também há emoções à mesa
Cozinhar em conjunto oferece oportunidades para esperar pela vez, pedir ajuda, assumir pequenas responsabilidades e lidar com um resultado inesperado. A receita vai sendo feita ao mesmo tempo que se pratica a cooperação.
As personagens de Halloween podem abrir espaço a outras conversas. Uma bruxa pode ter medo do escuro. Um monstro pode assustar-se com um barulho. Uma múmia pode estar cansada depois de tanta brincadeira.

Na proposta que acompanha a sopa, O feitiço que desembaraça os medos, convidamos a imaginar uma preocupação da bruxa, desenhá-la com as cores que cada criança escolher e descobrir o que a poderia ajudar. Uma luz acesa? Um abraço? Alguém que a escute?
Depois, quem quiser pode completar: «Quando tenho medo, ajuda-me…». O objetivo é reconhecer a emoção e encontrar formas de cuidado. Nem sempre conseguimos fazer o medo desaparecer, mas podemos mostrar à criança que não precisa de ficar sozinha com ele.

Com as múmias, o convite é outro: parar. Espreguiçar suavemente, soltar os ombros e perguntar ao corpo do que precisa. Água? Descanso? Companhia? Um bocadinho de calma?
Reconhecer estas necessidades faz parte do autocuidado. Também os adultos podem participar e dizer o que precisam naquele momento. As crianças aprendem connosco que pedir ajuda ou fazer uma pausa tem lugar no dia a dia.
Uma cor, uma descoberta, um cuidado
Não é necessário transformar todas as refeições numa atividade. Há dias para inventar múmias e outros em que precisamos apenas de preparar qualquer coisa simples. Podemos, ainda assim, guardar três perguntas para usar quando houver disponibilidade:
Que cor vamos descobrir hoje?
Escolher um alimento da época ou uma folha diferente e observar o seu aspeto, aroma e textura.
O que podemos fazer juntos?
Dar à criança uma tarefa possível: escolher um ingrediente, temperar uma salada ou ajudar a pôr a mesa.
Do que precisamos agora?
Reservar um momento para escutar o corpo e as emoções, sem exigir que todos respondam ou sintam o mesmo.


Estas perguntas podem acompanhar uma receita, uma leitura ou uma conversa. São pequenos convites que cada família adapta ao tempo e à vontade que tem.
É essa continuidade que gostaríamos que À Descoberta das Cores encontrasse em cada casa: que a curiosidade da Mel passasse das páginas para a cozinha e que, entre sabores e histórias, surgissem oportunidades para conhecer melhor os alimentos e uns aos outros.
Neste Halloween, experimente escolher uma das receitas e dar-lhe o toque da sua família. Depois, partilhe-a com alguém com quem gostasse de cozinhar, ou conte-lhe a pergunta inesperada que surgiu à mesa.
Uma receita pode viajar de casa em casa. E, com ela, pode seguir uma ideia simples: há muitas maneiras de alimentar uma família, e algumas começam quando paramos para descobrir e escutar.
