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O frio abre mesmo o apetite?
Porque mudamos a forma de comer quando chegam os dias mais frescos.
Quando a temperatura baixa, há uma mudança que quase todos reconhecemos: começam a apetecer mais sopas, pratos quentes e sabores que associamos aos dias passados em casa. Mas será que o frio nosdá realmente mais fome?
A resposta é: pode influenciar, mas a história não é assim tão simples.
A investigação sobre o efeito do frio na alimentação ainda não é totalmente consensual. Alguns estudos encontraram um aumento da ingestão energética em condições de frio, enquanto outros não observaramalterações significativas na fome ou na quantidade de alimentos consumidos. Uma revisão da literatura conclui, precisamente, que o frio pode aumentar o gasto energético, mas que o efeito sobre a ingestãoalimentar em humanos é mais pequeno e variável.
Por isso, talvez aquilo que sentimos no outono não seja simplesmente mais fome. É, muitas vezes, vontade de comer diferente.


Mais do que fome, procuramos conforto
Quando chegam os dias frios, mudam também as nossas preferências: pratos quentes, texturas mais densas e refeições que associamos a casa e a momentos de partilha ganham espaço.
E existe uma razão para isso.
O conceito de comfort food está relacionado com alimentos que adquiriram um significado emocional através da familiaridade, das memórias e das experiências sociais. Uma sopa, um prato de forno ou aquela receita que faz lembrar a infância podem ser procurados não apenas pelo sabor, mas pelo que representam.
Isto ajuda a explicar uma diferença importante: nem sempre estamos a responder a uma necessidade maior de energia; podemos estar a responder a uma mudança de contexto, de hábitos e de preferências.
O próprio ambiente parece influenciar aquilo que nos apetece. Num estudo de 2024, a exposição ao frio não alterou significativamente a fome ou a ingestão energética total, mas aumentou a preferência por pratos quentes e mais ricos em gordura.
Ou seja: o frio pode não mudar apenas quanto queremos comer. Pode mudar aquilo que queremos encontrar no prato.
E onde ficam os “frescos” quando chega o frio?
É aqui que vale a pena contrariar uma ideia muito instalada: a de que os ingredientes frescos pertencem sobretudo às refeições leves dos dias quentes.
Uma alimentação variada não deixa de precisar de vegetais quando as temperaturas descem. A Organização Mundial da Saúde recomenda uma alimentação diversificada, com fruta e vegetais comocomponentes importantes, independentemente da estação. O que pode mudar é a forma como os utilizamos.
Uma refeição de outono pode ter sopa, massa, arroz, forno ou um acompanhamento quente e continuar a incluir ingredientes frescos. Uma mistura Quente ou Fria Crocante Vitacress, por exemplo, pode ser utilizada como acompanhamento morno; o Espinafre Vitacress pode juntar-se a uma massa ou a uma sopa; e Batata-Doce ou Batata Branca Vitacress podem tornar-se uma base simples para uma refeição acabada de preparar.
A diferença está muitas vezes menos no ingrediente e mais na forma de o levar à mesa. E aqui a praticidade também conta: quando os ingredientes estão lavados, preparados ou são simples de cozinhar, torna-se mais fácil criar refeições com aquele sabor de comida feita em casa sem começar sempre do zero.


Conforto não tem de significar complicação
Existe ainda outra associação que vale a pena desconstruir: a ideia de que uma refeição que sabe a casa exige necessariamente muito tempo. Nem sempre.
Uma refeição quente pode começar com uma base simples. Uma folha fresca pode terminar uma sopa ou uma massa. Um acompanhamento pode ir diretamente ao forno ou à air fryer. E ingredientes versáteispodem assumir diferentes papéis ao longo da semana.
É precisamente essa combinação entre sabor, variedade e simplicidade que permite adaptar a alimentação aos dias mais frios sem tornar a cozinha numa tarefa maior do que precisa de ser.
Porque uma refeição pode ser reconfortante pelo que nos faz sentir — não pelo tempo que demorou a preparar.
Então, o frio abre mesmo o apetite?
Pode aumentar a ingestão em algumas condições, mas não é uma regra universal.
A evidência científica mostra que a relação entre temperatura, fome e consumo alimentar é complexa e depende de vários fatores.
O que parece mais fácil de reconhecer no nosso dia a dia é outra mudança: quando chega o frio, procuramos sabores, temperaturas e texturas diferentes.
E talvez seja essa a verdadeira mudança de estação à mesa.
Não precisamos de deixar a frescura para trás. Só precisamos de encontrar novas formas de a saborear.

Fontes
- Langeveld, M. et al. (2016). Mild cold effects on hunger, food intake, satiety and skin temperature in humans. Endocrine Connections. PubMed
- Unlu, Y. et al. (2025). Cold induces increased ad libitum energy intake independent of changes in energy expenditure: a controlled crossover trial in adults. The American Journal of Clinical Nutrition. PubMed
- Spence, C. (2017). Comfort food: A review. International Journal of Gastronomy and Food Science. Artigo científico
- World Health Organization (2026). Healthy diet. OMS — Healthy diet